Agradecimentos especiais ao nosso Ministro Tarso Genro e ao querido Presidente Lula por acreditarem em um novo modelo de segurança pública para o país e por terem nos dado a valorosa oportunidade de fazermos parte da construção da 1ª Conseg! Além de agradecimentos parece aqui ser necessário um desabafo leigo de quem andou por penitenciárias em 7 estados, realizando conferências livres com jovens entre 18 e 29 anos. Em todas ouvi relatos de algum tipo de abuso de autoridade, principalmente relacionadas aos direitos humanos que envolviam desde jovens que foram estuprados por policiais, torturados de várias formas, com sacos na cabeça, inserção de objetos na região anal. Falta de estrutura mínima, como acesso à agua, saneamento básico e super lotação.
O objeto da pena criminal parece ser mesmo o corpo, se vivêssemos em um tempo em que não existisse a patrulha ideológica de direita expressa da mídia, citar Marilena Chauí seria muito bem vindo, na medida em que ela apresenta um pouco do processo de adesão das classes médias ao ideário da elite brasileira, particularmente com referência à Segurança Pública. Se não me engano, há muito tempo a violência parece ser apresentada sem distinção de classe social, com um super estímulo de uma mídia que se beneficia muito em explorar e difundir a violência. O país pára para assistir determinados crimes – os pais que teriam matado a filha, a adolescente que matou os pais, e assim o Ibope sobe, os anunciantes anunciam e a emissora de TV fatura, enquanto mulheres reparam no cabelo novo da apresentadora, os homens a desejam. É mesmo Fantástico, o show da vida, ou da morte, do medo e da violência? “E a próxima vítima pode ser você”.
As vezes tenho a sensação de que discutir segurança pública no Brasil parece gerar discórdia, caso não queiramos ouvir coisas como “esfola e mata” ou “bandido bom é bandido morto”, é melhor não tocarmos no assunto em uma mesa de bar, muito menos em jantar de família ou na academia. Parece que quando se trata do tema, até mesmo intelectuais, juizes, jornalistas e envolvidos diretamente, estranhamente defendem a repressão pura e simples. O parece evidenciar que um dos sucessos que não se contesta em setores conservadores é a difusão da idéia de que os direitos humanos são “direitos de bandidos”.
Caetano Veloso nos fala do “silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina”, “ banco de sangue encadernado”, define Tom Zé.
O que percebi, foi que o Brasil apresenta um aparato prisional que parece estar à beira do colapso, cuja população parece ter aumentado consideravelmente.
O que parece estar acontecendo, por exemplo, no Rio Grande do Sul, resultado de uma obsessão punitiva crescente que parece ter tido lugar primeiro nos EUA.
No momento em que escrevo, acontece no Salão Negro do Ministério da Justiça o “Ato Comemorativo aos 30 anistia no Brasil”. Em uma breve passagem ouço um palestrante dizer que não há mais tortura no Brasil, e eu fico a pensar: Por que ninguém fala que jovens estão sendo torturados sim? Ainda que sejam presos(as) que tenham uma dívida a pagar ao Estado? São jovens que representam cerca de 70% num universo de 440 mil, ou seja, uma força produtiva de em média 308 mil jovens, muitos que ainda não foram julgados, vivem em condições subhumanas, sob tortura e outros tipos de mal tratos. E o que mais impressiona é que esse processo parece ter-se tornado sutil e invisível. Fica a pergunta: o que é feito para excluir, pode incluir?
No Vídeo Documentário que produzimos para a 1ª Conseg em parceria com a CUFA – A voz da Prisão – os presos(as) tiveram uma oportunidade histórica, segundo suas próprias palavras, nunca haviam tido a oportunidade de falar e elaborar propostas para que essas chegassem à Brasília, com a possibilidade de se transformarem em políticas públicas. Vejo mais essa ferramenta da Conseg como inovadora e revolucionária, no entanto, muitas coisas não puderam ser ditas no microfone, não puderam ser escritas, isso seria cortar a própria carne.
Finalizo ouvindo, ao fundo, a música de encerramento do referido ato que acontece a poucos metros: “Lá lá lá lá, lá lá lá lá, lá lá lá lá, lláááá, lááááá, lá lá lá lá...
agora é hora, de alegria, vamos sorrir e cantar, do mundo não se leva nada, vamos sorrir e cantar...” momento em que o meu sentimento de alegria se mistura com o de tristeza, de alegria porque chegamos ao fim do início de um longo, difícil e valoroso trabalho e de tristeza por saber que em pleno século XXI ainda existe tortura no Brasil.
Vocês podem pensar o porquê de eu não escrever sobre a Mostra de Vídeos, foram produzidos 52 vídeos inéditos abordando o tema da Segurança Pública, sobre o Festival de Música ou nas Conferências Livres que aconteceram com Jovens dos variados segmentos da sociedade civil. Enfim, podemos pensar em tantas outras coisas que se relacionam direta ou indiretamente com a situação exposta, como a qualidade do ensino, da saúde, da estrutura das famílias, do capitalismo, do consumo, do socialismo...sim podemos e devemos, mas tortura? Não, isso não pode mais acontecer em nosso país, acredito que temos condições para reestruturar nossa polícia para que nenhum membro sequer dessa corporação, se sinta no direito de torturar qualquer cidadão brasileiro. E mais, precisamos urgentemente de penas alternativas. Essa é a minha bandeira nessa Conseg, tenho outras é claro, mas por hora levanto essa. Com a certeza de que a luta continua. Ainda temos muito por fazer. E faremos!
O objeto da pena criminal parece ser mesmo o corpo, se vivêssemos em um tempo em que não existisse a patrulha ideológica de direita expressa da mídia, citar Marilena Chauí seria muito bem vindo, na medida em que ela apresenta um pouco do processo de adesão das classes médias ao ideário da elite brasileira, particularmente com referência à Segurança Pública. Se não me engano, há muito tempo a violência parece ser apresentada sem distinção de classe social, com um super estímulo de uma mídia que se beneficia muito em explorar e difundir a violência. O país pára para assistir determinados crimes – os pais que teriam matado a filha, a adolescente que matou os pais, e assim o Ibope sobe, os anunciantes anunciam e a emissora de TV fatura, enquanto mulheres reparam no cabelo novo da apresentadora, os homens a desejam. É mesmo Fantástico, o show da vida, ou da morte, do medo e da violência? “E a próxima vítima pode ser você”.
As vezes tenho a sensação de que discutir segurança pública no Brasil parece gerar discórdia, caso não queiramos ouvir coisas como “esfola e mata” ou “bandido bom é bandido morto”, é melhor não tocarmos no assunto em uma mesa de bar, muito menos em jantar de família ou na academia. Parece que quando se trata do tema, até mesmo intelectuais, juizes, jornalistas e envolvidos diretamente, estranhamente defendem a repressão pura e simples. O parece evidenciar que um dos sucessos que não se contesta em setores conservadores é a difusão da idéia de que os direitos humanos são “direitos de bandidos”.
Caetano Veloso nos fala do “silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina”, “ banco de sangue encadernado”, define Tom Zé.
O que percebi, foi que o Brasil apresenta um aparato prisional que parece estar à beira do colapso, cuja população parece ter aumentado consideravelmente.
O que parece estar acontecendo, por exemplo, no Rio Grande do Sul, resultado de uma obsessão punitiva crescente que parece ter tido lugar primeiro nos EUA.
No momento em que escrevo, acontece no Salão Negro do Ministério da Justiça o “Ato Comemorativo aos 30 anistia no Brasil”. Em uma breve passagem ouço um palestrante dizer que não há mais tortura no Brasil, e eu fico a pensar: Por que ninguém fala que jovens estão sendo torturados sim? Ainda que sejam presos(as) que tenham uma dívida a pagar ao Estado? São jovens que representam cerca de 70% num universo de 440 mil, ou seja, uma força produtiva de em média 308 mil jovens, muitos que ainda não foram julgados, vivem em condições subhumanas, sob tortura e outros tipos de mal tratos. E o que mais impressiona é que esse processo parece ter-se tornado sutil e invisível. Fica a pergunta: o que é feito para excluir, pode incluir?
No Vídeo Documentário que produzimos para a 1ª Conseg em parceria com a CUFA – A voz da Prisão – os presos(as) tiveram uma oportunidade histórica, segundo suas próprias palavras, nunca haviam tido a oportunidade de falar e elaborar propostas para que essas chegassem à Brasília, com a possibilidade de se transformarem em políticas públicas. Vejo mais essa ferramenta da Conseg como inovadora e revolucionária, no entanto, muitas coisas não puderam ser ditas no microfone, não puderam ser escritas, isso seria cortar a própria carne.
Finalizo ouvindo, ao fundo, a música de encerramento do referido ato que acontece a poucos metros: “Lá lá lá lá, lá lá lá lá, lá lá lá lá, lláááá, lááááá, lá lá lá lá...
agora é hora, de alegria, vamos sorrir e cantar, do mundo não se leva nada, vamos sorrir e cantar...” momento em que o meu sentimento de alegria se mistura com o de tristeza, de alegria porque chegamos ao fim do início de um longo, difícil e valoroso trabalho e de tristeza por saber que em pleno século XXI ainda existe tortura no Brasil.
Vocês podem pensar o porquê de eu não escrever sobre a Mostra de Vídeos, foram produzidos 52 vídeos inéditos abordando o tema da Segurança Pública, sobre o Festival de Música ou nas Conferências Livres que aconteceram com Jovens dos variados segmentos da sociedade civil. Enfim, podemos pensar em tantas outras coisas que se relacionam direta ou indiretamente com a situação exposta, como a qualidade do ensino, da saúde, da estrutura das famílias, do capitalismo, do consumo, do socialismo...sim podemos e devemos, mas tortura? Não, isso não pode mais acontecer em nosso país, acredito que temos condições para reestruturar nossa polícia para que nenhum membro sequer dessa corporação, se sinta no direito de torturar qualquer cidadão brasileiro. E mais, precisamos urgentemente de penas alternativas. Essa é a minha bandeira nessa Conseg, tenho outras é claro, mas por hora levanto essa. Com a certeza de que a luta continua. Ainda temos muito por fazer. E faremos!
Um comentário:
assino embaixo: precisamos urgentemente de penas alternativas...
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